Atualizado em: 02/10/2019

Existem épocas do ano em que fazer uma boa gestão financeira do condomínio é uma tarefa ainda mais desafiadora que o normal. O fechamento das contas passa do controle, imprevistos acontecem e falta dinheiro no caixa para resolver todos os problemas.

Nesses momentos, utilizar o Fundo de Reserva passa pela cabeça da maioria dos síndicos. No entanto, existe muita dúvida sobre quando seria o melhor momento para a cobertura legítima.

Neste artigo vamos explicar melhor sobre como calcular os fundos e quais são os momentos mais adequados para uso desses recursos. Acompanhe!

O que é um Fundo de Reserva?

O Fundo de Reserva é formado por uma arrecadação de verba realizada junto aos condôminos, separadamente do valor referente à cota condominial. O objetivo principal é criar um montante capaz de suportar as despesas imprevistas no orçamento do condomínio, evitando a necessidade de emissão das cotas extras.

Como calcular?

O percentual da taxa que deve ser destinada ao fundo deve constar no estatuto do condomínio. Na maioria dos casos, esse percentual varia de 5% a 10%, adicionado à taxa mensal.

Por exemplo, se o morador paga R$100,00 de taxa condominial e o Fundo de Reserva é de 5%, então você adiciona esse número sobre os R$100,00, que passam a ser R$105,00.

Sendo assim, é o regulamento interno que mostra como o cálculo deverá ser feito, de forma justa. Existem também outros meios de arrecadação, como fundo de obras. Além disso, rateios extras podem ser combinados em assembleias.

Vale lembrar que, já que se trata de uma arrecadação feita, na maioria dos casos, de médio a longo prazo, esse fundo reservado tende a ser um valor considerável. Por essa questão, o mais recomendado é que o montante seja mantido em alguma instituição financeira.

Quando utilizar o Fundo de Reserva?

Assim como o percentual calculado, os usos do Fundo de Reserva precisam ser listados no estatuto do condomínio. Se isso não for feito, será necessário levantar uma votação em assembleia para a ratificação da decisão em grupo.

É importante saber que esse dinheiro é acumulado para a intervenção em despesas extraordinárias do condomínio e não aos gastos rotineiros de manutenção. As convenções devem apontar os limites de tolerância ou permissividade de utilização do valor.

Alguns exemplos de gastos que costumam fazer uso dessa reserva financeira são rompimentos de tubulações que geram vazamentos, pagamento de verbas trabalhistas por determinação judicial, reparos de emergência em acidentes que comprometem a estrutura física do condomínio, entre outros imprevistos do tipo.

O Fundo de Reserva não deve ser criado com a intenção de suprir o caixa comum do condomínio. No entanto, é possível que o síndico utilize esse valor em casos de emergências para dar conta de despesas inadiáveis que ameacem a concessão de serviços básicos.

Nessa hipótese, o dinheiro utilizado deverá ser reposto o quanto antes. É fundamental que o síndico faça a melhor gestão possível das finanças, sabendo equilibrar os gastos e reconhecendo o melhor momento para recorrer às economias.

Quais erros precisam ser evitados?

Outro fator muito importante que precisa ser observado são os equívocos na gestão do Fundo de Reserva, que levam o síndico a ter problemas com as finanças do condomínio. Eles precisam ser evitados ao máximo, por isso, é necessário traçar estratégias eficientes para eliminá-los o quanto antes. A seguir, listamos os principais erros que normalmente acontecem em uma administração.

Utilizar o fundo para despesas que não sejam extraordinárias

A administração do condomínio deve reconhecer que o Fundo de Reserva não é destinado para suprir o caixa, mas, sim, para cobrir despesas em situações de emergência. Ou seja, esse dinheiro é de caráter preventivo. Esse é um dos maiores erros ao utilizar o Fundo de Reserva, desconsiderar o propósito fundamental desses valores.

Portanto, não use esses recursos para honrar compromissos básicos do condomínio. Eles devem ser utilizados apenas em situações que não foram calculadas no planejamento financeiro.

Não realizar assembleia com os condôminos para apresentar onde será usado o dinheiro

Outro ponto negligenciado que, se evitado, diminuem muito as reclamações e confusão é a realização de assembleia com os condôminos para definir em quais situações o Fundo de Reserva deve ser utilizado. Dessa forma, é possível estabelecer limites para o uso do fundo, além de proporcionar ao síndico a segurança necessária para o uso total ou parcial desses recursos.

Negligenciar o controle do Fundo de Reserva

Assim como o fluxo de caixa, o Fundo de Reserva também precisa ter um controle eficiente. Saber exatamente para onde os recursos estão sendo direcionados é fundamental para assegurar que eles estão sendo utilizados da melhor maneira possível. Além do mais, também é possível identificar eventuais gargalos que prejudicam esse tipo de orçamento e, inclusive, podem prejudicar a imagem do gestor do condomínio.

Não investir o dinheiro em aplicações rentáveis

Os valores arrecadados para o Fundo de Reserva não são nada exorbitantes, mas ao mesmo tempo, se não forem investidos em aplicações rentáveis, não serão suficientes para suprir as necessidades emergenciais do condomínio.

O ideal é optar por investimentos seguros e que ofereçam boa rentabilidade. Hoje, a poupança não é uma alternativa tão atrativa. Há uma variedade de outras aplicações, como o Tesouro Direto, por exemplo, que oferecem retornos bem mais interessantes e com baixíssimo risco — equivalente ao risco da poupança. 

Utilizar uma única conta para gerenciar os gastos usuais e o Fundo de Reserva

Também é importante utilizar contas separadas para gerenciar as despesas diárias do condomínio e o Fundo de Reserva. Por melhor que seja a memória do administrador, é muito fácil fazer confusões que prejudiquem a gestão condominial durante situações de emergência, em que é necessário tomar uma decisão rápida e precisa. 

Percebeu como o Fundo de Reserva é importante? O ideal é que o seu montante seja de, no mínimo, três vezes o valor da receita total do condomínio. Suponhamos que o condomínio arrecade R$ 50 mil por mês: nesse cenário, o valor total do fundo deverá ser de R$ 150 mil, pelo menos. 

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