A preocupação com a segurança faz parte da rotina de grandes e pequenas cidades. E já reparou que o clima de desconfiança é maior quando ninguém se conhece? Mas as coisas não precisam ser assim.

Pelo contrário: uma solução para acabar com essa sensação de insegurança que pode existir é a chamada rede de vizinhos protegidos. Ela se baseia justamente nesse conceito de que quanto mais as pessoas se conhecem, mais seguras elas podem estar.

A ideia do projeto é estabelecer um diálogo constante entre moradores e polícia. Desse modo, a comunidade de determinado local se articula para criar uma estrutura que facilite o trabalho da Segurança Pública.

Isso é feito principalmente com comunicação e tecnologia. Já se sabe que a comunicação é essencial para uma convivência pacífica entre vizinhos, mas esse diálogo não precisa ficar restrito ao objetivo de lidar bem com a existência do outro. É possível usar a presença do vizinho a favor da segurança de todos e isso vale também para condomínios. Continue a leitura e veja como:

Trabalho em equipe

É dessa maneira que a rede de vizinhos protegidos faz com que a segurança aumente. Primeiro, os moradores se reúnem e elencam os problemas em comum. Muitos querem aumentar o muro da própria casa e, por isso, precisam de materiais de construção, por exemplo.

Talvez fosse válido procurar por promoções em conjunto ou negociar um desconto (usando a compra em grande quantidade a favor de todos). Depois desses pequenos diálogos e combinados que fortalecem os laços entre vizinhos, pode-se pensar em algo mais aprofundado para a rede de moradores.

É provável que a comunidade tenha um grupo no WhatsApp. Em outros momentos, ele pode ser usado para falar sobre condomínio, reuniões da associação de moradores etc, mas agora deve se transformar no grupo da segurança.

Principalmente por meio da comunicação via grupo de WhatsApp, todos ficam encarregados de informar sobre qualquer movimentação suspeita. É como se cada morador de uma comunidade fosse uma “câmera viva”. Se necessário, deve-se acionar a Polícia Militar (pelo 190).

Segurança e bem-estar coletivo

O sistema de vigilância já existe na lógica do Estado e da propriedade privada — associada, muitas vezes, à disponibilidade da tecnologia.

Mas os números provam que a comunicação essencialmente humana e um determinado comportamento tendem a contribuir bastante para a segurança e o bem-estar coletivo. E a rede de vizinhos protegidos também segue a premissa da mudança de comportamento, já que o morador não fica preocupado só com o seu espaço, mas também com o terreno do vizinho.

O dono da casa ao lado da minha viajou? Então, não custa dar uma olhada na residência dele, ver se não parou um carro suspeito ou se há algum barulho estranho e informar a todos no grupo.

A última — e igualmente essencial — parte desse processo é o contato com a Polícia Militar. No Estado de São Paulo, por exemplo, a PM dispõe de um programa próprio, chamado Vizinhança Solidária. O projeto começou em 2009, numa articulação do 23º Batalhão da Polícia Militar com síndicos e zeladores dos edifícios do Bairro do Itaim Bibi (Zona Sul da cidade).

Os policiais passaram a promover palestras e reuniões periódicas. Eles falavam sobre os fatores de risco da segurança de um condomínio, além de distribuir folhetos para os moradores. Até 2012, esse sistema de integração moradores-polícia já estava em 136 condomínios de SP.

Já no ano seguinte, atingia casas de outras 4 regiões residenciais importantes do município. A assessoria de imprensa da PM de SP informou, no início de 2017, que o programa já está presente em aproximadamente mil moradias da região.

Segundo o capitão Marcos Daniel Fernandes, responsável pela 2ª Cia do Batalhão da Polícia Militar, em entrevista ao portal do governo de SP, a inspiração para essa solução vem do artigo 144 da Constituição Federal. Esse trecho afirma que, além de o Estado ser responsável pela Segurança Pública, as pessoas são corresponsáveis.

Assim, na medida em que o trabalho foi sendo desenvolvido, as pessoas passaram a se integrar umas com as outras, a trocar o número de telefone entre elas e a ajudar a vigiar a casa do vizinho, incluindo o uso do aplicativo WhatsApp.

A mobilização acabou intimidando os ladrões e até mesmo quadrilhas especializadas em assaltos a casas. Em virtude disso, de acordo com a PM, a ocorrência de crimes como assaltos e furtos caiu bastante. Furtos de veículos e de moradores também apresentaram queda.

Menos roubo

Essa articulação fez com que a população ficasse mais atenta e, ao sinal de qualquer suspeita, chamasse a PM pelo celular. Criou-se, assim, um clima de confiança entre moradores, o que fortaleceu o diálogo com a Segurança Pública. Consequentemente, a quantidade de roubos diminuiu.

A vizinhança solidária teve repercussão em outros locais. Ela foi repassada às demais regiões com a ajuda de participantes dos Conselhos de Segurança (Consegs). As informações sobre o programa continuam sendo repassadas, de acordo com a PM, para moradores de outras áreas. Mas, para isso, é preciso que quem se interessar procure pelo Conseg de sua região.

Para a implantação do programa, é preciso que um líder comunitário ou síndico entre em contato com a PM e verifique a disponibilidade.

E você? Acha possível articular com as pessoas que moram ao lado de sua casa uma rede de vizinhos protegidos? Que tal compartilhar este artigo nas redes sociais e ver quem, entre seus amigos, tem interesse no assunto? Essa articulação pode começar agora mesmo!

 

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